Será preciso fazer uma revolução?
Será que eu sou passível de qualquer definição?
Não, o efêmero é um agente que tem assombrado
Minhas pequenas e belas ilusões!
(Psicografia?
Quando é que alguém respondeu pelos próprios atos?)
Desfiz a cama em que me deitei com você...
Que triste! Gostaria de ter armado campanha
Em seu jardim e ter perguntado às suas plantas
Como foi seu dia e o que você comeu.
E ter dormido, no relento, procurando ouvir
Seus passos, sua respiração, seu marasmo.
Agora já não quero e nem posso...
E que não me venham assombrar os fantasmas
Das antigas paixões, que me deixaram dores.
Minha morada descascou, a tinta perdeu a cor.
O bolor se alastrou e eu começo a me acostumar
Com o verde úmido destas paredes mudas.
O que fazer, agora, com o tempo?
Anda passando lento... E as cores já secaram.
A turbulência se foi.
Pergunto se me levou embora a poesia,
Que me vinha em sobressaltos...
Mas eis que uma pessoa seca e fria
Consegue escrever versos vagos.
Heim? Quem são estas pessoas que me falam,
Quando em quando?
Sãos meus amigos, meus amores?
Creio que não.
Vontade de ir embora?
Ciclo?
Suicídio?
Transmutação?
Ora, que desperdício de piadas!
